segunda-feira, 3 de outubro de 2011

HOJE

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Hoje acordei de uma forma diferente
Olhei para dentro de mim e lá estava
Um grande vazio

Um vazio imenso
Recheado de restos de sonhos
Cinzas de pensamentos
Migalhas de sentimentos

Já não consigo chorar
Mais de cinco lágrimas
O mesmo vazio se repete
É uma dor anestesiada

Já não consigo chorar
A mesma dor persiste
É tão sentida tão vivida
Que não consigo senti-la

É o espaço exacto de cinco lágrima
Que foram todas choradas, sentidas, desperdiçadas
São cinco... Apenas Cinco lágrimas

EXALTAÇÃO PROFANA

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A culpa bebe de mãos dadas
Com a exaltação profana de um bolo
Que adoça o ego da palavra envenenada
Estrofe desconexa para ser despenalizada

Abrigo de palavras perdidas sem serem ouvidas
Atiradas levianamente ao vento
Como uma voz que grita sem ser ouvida
Palavra sofrida, despida de preconceito

Grita por uma boca
A voz passiva de tempo não conjugado
Tempo perdido mas encontrado
A culpa uma exaltação profana






MÁGICOS DEFEITOS

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Imperfeitos e mágicos defeitos
que me fazem caminhar em sentido contrário
da história proposta e imposta,
exigidas na hipócrita contradição
da tolerância insensata e irreal.

Invisíveis e mágicos defeitos
que me inundam de prazeres indecentes,
fazendo-me nadar em mares bravios
em busca dos verdadeiros defeitos
transformados em falsas virtudes.

Secretos e mágicos defeitos
porção perigosa da contravenção
de mentiras e verdades em ebulição
pressentidas na cumplicidade
do certo e do errado,
entre virtudes e defeitos
de uma realidade mágica e imperfeita…

MINHA CULPA

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Sei lá! Sei lá! Eu Sei lá’ bem
Quem sou? Um fogo-fatuo, uma miragem…
Sou um reflexo… um canto de paisagem
Ou apenas cenario! Um vaivem

Como a sorte: hoje aqui, depois alem!
Sei la’ quem sou? Sei la’! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei la’ quem!…

Sou um verme que um dia quis ser astro…
Uma estatua truncada de alabastro..
Uma chaga sangrenta do Senhor…

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador…


Florbela Espanca