segunda-feira, 12 de abril de 2010

A Soldo...!



Trocamos uns quantos monossílabos descabidos, hiperbolizamos sentimentos e no final acabamos por dar de barato o coração a quem julgamos merece-lo. Um dia acordamos e deparamos com esse mesmo amor hipotecado à ordem de alguém que já não reconhecemos.
Os eufemismos começam lentamente a ficar na gaveta, substituídos por palavras ásperas. Aquela paixão esdrúxula que nos consumia, não passa agora de um erro que bem poderia ser de sintaxe, tal é o desconforto que nos causa.
Deparamos com o Amor, decomposto, fraccionado e humilhado, que é vendido a soldo numa qualquer leiloeira de aspecto manhoso.
Este é o amor pleonástico, errante, que teima em não vingar. Aquele que deixa de ser um fim, para se tornar na sua antítese: o desamor, o não-amor, ou no seu antónimo - o ódio.
Toda esta conjunção de metáforas estúpidas, apenas significa que mais uma vez e apesar de acentuado esforço, não encontramos nenhum sinónimo para a palavra felicidade, nem conseguimos colocar o acento tónico na palavra amor...

(desconheço o autor)

1 comentário:

Dulce disse...

Parabens pelo bonito blog cheio de belas poesias e excelentes trabalhos fotograficos, bjitos.