quarta-feira, 21 de abril de 2010

Trilho... !

Imagem provavelmente protegida por direitos do autor

Desperta-me na noite com o sono em que me deito
O desejo da vaga dos teus dedos
Entrego-me às tréguas das lembranças do teu beijo
Onde a lingua arrasta a saliva pelo meu corpo sedento do teu
Prendo as garras à dobra do lençol que desfazes
Olho-te com asas feitas de cristal de rocha violenta
Soltas, disponíveis para voar
Não há nada que disfarce de ti aquilo que vejo
Segues o trilho do meu corpo
Deixa essa boca faminta seguir o desejo que me consome
Tiras-me do sono onde resvalo pouco a pouco
E tu dentro de mim homem que percorro
Com as mãos de estátua que consinto
Num corpo desavindo de costas ao vento
Desfecho com golpes sem limites de espaço
A ardência de movimentos no centro da tua boca
E voo na memória lânguida de te voltar a ter

terça-feira, 13 de abril de 2010

Hoje Descobri...!

 Imagem provavelmente protegida com direitos de autor

Hoje descobri:

Que fui gerada com medos, receios, raiva...
Condecorada com as magoas que me desventram sem piedade
Adornada com o choro desordenado
Coroada com o orgulho que me queima a cada momento
Medalhada com o grito aos quatro ventos
Laureada com o saber rir quando a dor aperta
Premiada com os princípios fundamentais
Galardoada com a força de ser guerreira
Compensada com os amores-perfeitos e menos perfeitos
Distinguida com a fatuidade...

Hoje descobri:

Que oiço pela manhã o cantar dos passaros
Que vejo a luz do sol a sorrir-me
Que um novo dia me aquece
Que vou sorrir de mim propria
Que vou dizer que te amo...

Hoje descobri:

Que ser idiota é um privilégio!!!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A Soldo...!



Trocamos uns quantos monossílabos descabidos, hiperbolizamos sentimentos e no final acabamos por dar de barato o coração a quem julgamos merece-lo. Um dia acordamos e deparamos com esse mesmo amor hipotecado à ordem de alguém que já não reconhecemos.
Os eufemismos começam lentamente a ficar na gaveta, substituídos por palavras ásperas. Aquela paixão esdrúxula que nos consumia, não passa agora de um erro que bem poderia ser de sintaxe, tal é o desconforto que nos causa.
Deparamos com o Amor, decomposto, fraccionado e humilhado, que é vendido a soldo numa qualquer leiloeira de aspecto manhoso.
Este é o amor pleonástico, errante, que teima em não vingar. Aquele que deixa de ser um fim, para se tornar na sua antítese: o desamor, o não-amor, ou no seu antónimo - o ódio.
Toda esta conjunção de metáforas estúpidas, apenas significa que mais uma vez e apesar de acentuado esforço, não encontramos nenhum sinónimo para a palavra felicidade, nem conseguimos colocar o acento tónico na palavra amor...

(desconheço o autor)