domingo, 24 de janeiro de 2010

Insatisfação


  
Tanta palavra para dizer e que não digo
Tanto livro para ler e que não leio,
Tanta esperança para dar e que não dou

Tanta coisa, natureza, tanta coisa,
Tu puseste em mim para fazer e que não faço
Tanta flor para semear que não semeio
Tanta gente para abraçar que não abraço
Quero, crio e sonho
Mas a vontade não acompanha o pensamento.
Tanta noite para amar e que não amo,
Tanta coisa para saber e que não sei
Tanta desculpa de que nunca tenho tempo

Dá mais força às minhas mãos, ó natureza,
Há tanta história para escrever e que não escrevo,
Tanta ideia a defender que não defendo,
Tanto lugar para visitar que não visito.

Iguala as minhas mãos ao pensamento,
Torna a minha vontade mais veloz.
E tu verás, natureza, como consigo
Amar o meu amor como não amo,
Ler todos os livros que não leio
E dizer as palavras que não digo

Fina D Armanda

Poema In(completo)...!


Imagem protegida pelos direitos de autor

Vem em metades e com segredos
Prende-me em teus braços a meio da noite
Bebe o meu corpo
Sacia a tua sede
Canta-me a tua canção

Sente o desejo em crepúsculo
O sentido da volúpia carnal
A ponta dos meus dedos
Goza a tortura do momento
Deixa o relógio partilhar as horas lentas
Absorve a essência de desejo

Esquece o tempo
O quotodiano morto
....

sábado, 23 de janeiro de 2010

Em Prosa... !



"With or whithout you" diz a canção, repetitiva, a atormentar o principio da noite...
Passam as horas e é como se nada se passasse, para além da memória que insiste em manter-se presente, demónio da permanência de algo, museu de cera do que vivi...
Melhor seria cortar as asas ao coração e à esperança, acreditar apenas no possível e não desejar mais que o corrente, esquecer o que a corrente do rio insiste em trazer à berma por onde passeio... E esperar apenas pelo desaguar sossegado numa ilha enevoada.
Melhor seria...
Mas persiste a memória, persistem as recordações, as que me assombram uma a uma como se não tivesse vida agora e hoje, numa estranha convocação de lágrimas...
Pois que venham todos os fantasmas, que nenhum se esqueça de vir assombrar o cinzento deste entardecer. Venham, esqueçam a preguiça e levantem-se, desfilem todos, um a um à minha frente. Relembrem-me os erros, felicitem-me pelos momentos em que nada fiz. Nunca os fantasmas nos dão parabéns por qualquer sucesso, são demasiado ciosos de si mesmos para isso. Gostam de nos ver fragilizados, odeiam quando somos felizes, porque isso lhes dá a ver a sua existência de fantasmas.
Mas a verdade é que quero tudo... A vida real cheia de cheiros e espaços, a experiência da manhã, o quotidiano baço e os sonhos os que se alimentam da minha própria boca.
Hoje tive um dia horrível entre uma madrugada e um crepúsculo.
Sei contudo, que amanhã (se existir) será diferente...
Que vale a pena estar viva e no limite de qualquer coisa. O resto pertence aos outros, sobretudo porque não o quero...!
Não há vida que não mereça ser levada até esse ponto onde algo acaba e logo comece esse "eu" que insiste em espreitar, tímido mas desejante de ser.
É por isso que sei que quando estou a sair de mim, estou a ser essa gente e essa parte.
Sinto, logo não existo e fico feliz quando sei que escoo nas sete partidas que o mundo me pregou...!