terça-feira, 10 de agosto de 2010

S/T

Não sei que disse.
Não sei que fiz.
Sei que  me faltas.

Não sei nunca ser feliz com as palavras.

Não sei apertar nos meus braços quem gosto, muito.
Sei que estou surdo de não ouvir a tua voz.

Não sei lidar com felicidades que os  amigos me ofertam.
Não sei estar perto quando devo.
Sei que tenho saudades.

Vou pra férias.
Fiz uma lista de coisas pra levar.
Já risquei quase tudo.
Estão guardadas.

Tenho escrito um beijo teu.
Falta colocar um traço sobre a palavra, queria leva-lo na bagagem comigo.

Gosto de ti, Maria.

Poema de José Caldeira

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Obrigada meu amigo
Coloca o traço e leva-me na tua bagagem
Gosto de ti, José Caldeira

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Trilho... !

Imagem provavelmente protegida por direitos do autor

Desperta-me na noite com o sono em que me deito
O desejo da vaga dos teus dedos
Entrego-me às tréguas das lembranças do teu beijo
Onde a lingua arrasta a saliva pelo meu corpo sedento do teu
Prendo as garras à dobra do lençol que desfazes
Olho-te com asas feitas de cristal de rocha violenta
Soltas, disponíveis para voar
Não há nada que disfarce de ti aquilo que vejo
Segues o trilho do meu corpo
Deixa essa boca faminta seguir o desejo que me consome
Tiras-me do sono onde resvalo pouco a pouco
E tu dentro de mim homem que percorro
Com as mãos de estátua que consinto
Num corpo desavindo de costas ao vento
Desfecho com golpes sem limites de espaço
A ardência de movimentos no centro da tua boca
E voo na memória lânguida de te voltar a ter

terça-feira, 13 de abril de 2010

Hoje Descobri...!

 Imagem provavelmente protegida com direitos de autor

Hoje descobri:

Que fui gerada com medos, receios, raiva...
Condecorada com as magoas que me desventram sem piedade
Adornada com o choro desordenado
Coroada com o orgulho que me queima a cada momento
Medalhada com o grito aos quatro ventos
Laureada com o saber rir quando a dor aperta
Premiada com os princípios fundamentais
Galardoada com a força de ser guerreira
Compensada com os amores-perfeitos e menos perfeitos
Distinguida com a fatuidade...

Hoje descobri:

Que oiço pela manhã o cantar dos passaros
Que vejo a luz do sol a sorrir-me
Que um novo dia me aquece
Que vou sorrir de mim propria
Que vou dizer que te amo...

Hoje descobri:

Que ser idiota é um privilégio!!!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A Soldo...!



Trocamos uns quantos monossílabos descabidos, hiperbolizamos sentimentos e no final acabamos por dar de barato o coração a quem julgamos merece-lo. Um dia acordamos e deparamos com esse mesmo amor hipotecado à ordem de alguém que já não reconhecemos.
Os eufemismos começam lentamente a ficar na gaveta, substituídos por palavras ásperas. Aquela paixão esdrúxula que nos consumia, não passa agora de um erro que bem poderia ser de sintaxe, tal é o desconforto que nos causa.
Deparamos com o Amor, decomposto, fraccionado e humilhado, que é vendido a soldo numa qualquer leiloeira de aspecto manhoso.
Este é o amor pleonástico, errante, que teima em não vingar. Aquele que deixa de ser um fim, para se tornar na sua antítese: o desamor, o não-amor, ou no seu antónimo - o ódio.
Toda esta conjunção de metáforas estúpidas, apenas significa que mais uma vez e apesar de acentuado esforço, não encontramos nenhum sinónimo para a palavra felicidade, nem conseguimos colocar o acento tónico na palavra amor...

(desconheço o autor)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Insatisfação


  
Tanta palavra para dizer e que não digo
Tanto livro para ler e que não leio,
Tanta esperança para dar e que não dou

Tanta coisa, natureza, tanta coisa,
Tu puseste em mim para fazer e que não faço
Tanta flor para semear que não semeio
Tanta gente para abraçar que não abraço
Quero, crio e sonho
Mas a vontade não acompanha o pensamento.
Tanta noite para amar e que não amo,
Tanta coisa para saber e que não sei
Tanta desculpa de que nunca tenho tempo

Dá mais força às minhas mãos, ó natureza,
Há tanta história para escrever e que não escrevo,
Tanta ideia a defender que não defendo,
Tanto lugar para visitar que não visito.

Iguala as minhas mãos ao pensamento,
Torna a minha vontade mais veloz.
E tu verás, natureza, como consigo
Amar o meu amor como não amo,
Ler todos os livros que não leio
E dizer as palavras que não digo

Fina D Armanda

Poema In(completo)...!


Imagem protegida pelos direitos de autor

Vem em metades e com segredos
Prende-me em teus braços a meio da noite
Bebe o meu corpo
Sacia a tua sede
Canta-me a tua canção

Sente o desejo em crepúsculo
O sentido da volúpia carnal
A ponta dos meus dedos
Goza a tortura do momento
Deixa o relógio partilhar as horas lentas
Absorve a essência de desejo

Esquece o tempo
O quotodiano morto
....

sábado, 23 de janeiro de 2010

Em Prosa... !



"With or whithout you" diz a canção, repetitiva, a atormentar o principio da noite...
Passam as horas e é como se nada se passasse, para além da memória que insiste em manter-se presente, demónio da permanência de algo, museu de cera do que vivi...
Melhor seria cortar as asas ao coração e à esperança, acreditar apenas no possível e não desejar mais que o corrente, esquecer o que a corrente do rio insiste em trazer à berma por onde passeio... E esperar apenas pelo desaguar sossegado numa ilha enevoada.
Melhor seria...
Mas persiste a memória, persistem as recordações, as que me assombram uma a uma como se não tivesse vida agora e hoje, numa estranha convocação de lágrimas...
Pois que venham todos os fantasmas, que nenhum se esqueça de vir assombrar o cinzento deste entardecer. Venham, esqueçam a preguiça e levantem-se, desfilem todos, um a um à minha frente. Relembrem-me os erros, felicitem-me pelos momentos em que nada fiz. Nunca os fantasmas nos dão parabéns por qualquer sucesso, são demasiado ciosos de si mesmos para isso. Gostam de nos ver fragilizados, odeiam quando somos felizes, porque isso lhes dá a ver a sua existência de fantasmas.
Mas a verdade é que quero tudo... A vida real cheia de cheiros e espaços, a experiência da manhã, o quotidiano baço e os sonhos os que se alimentam da minha própria boca.
Hoje tive um dia horrível entre uma madrugada e um crepúsculo.
Sei contudo, que amanhã (se existir) será diferente...
Que vale a pena estar viva e no limite de qualquer coisa. O resto pertence aos outros, sobretudo porque não o quero...!
Não há vida que não mereça ser levada até esse ponto onde algo acaba e logo comece esse "eu" que insiste em espreitar, tímido mas desejante de ser.
É por isso que sei que quando estou a sair de mim, estou a ser essa gente e essa parte.
Sinto, logo não existo e fico feliz quando sei que escoo nas sete partidas que o mundo me pregou...!