quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Onze de Julho... !


Imagem provavelmente protegida pelos direitos de autor


Foi um dia em que a vida e a morte estavam de mãos dadas,
Não sei, em que momento as consegui separar.
A minha máxima é "respirar fundo e contar sempre até dez" digo,
Mas jamais me passou pela cabeça que essa máxima fosse pura utopia...

O estado de coma passou por mim num espaço mínimo de tempo,
Pratiquei a eutanásia dos meus sentidos... Que Deus me perdoe
Foi tudo numa fracção de segundos.

Consegui reter os sons metodicamente pronunciados,
Consegui reter o cinzelar de palavras acutilantes,
Consegui ver a candura do olhar,
Consegui ver a lágrima retida na represa.

Oiço o teu coração falar, acompanhado de batidas mal ritmadas
Suavemente decifro a tua alma,
Pássaros presos numa fina armadilha, que fomos tecendo...

Escuto-te ao longe, muito longe.
Estás sentado num canto dum salão...
Daqueles onde um dia havemos de dançar a valsa Vienense
E em que o som se perde quando deslizamos com flamância.

Conspiro... Corrompo com dádivas e promessas o meu encéfalo
Esqueci-me... Está protegido por uma cega redoma
Oiço uma música que repetidamente me diz:
- Estás novamente sozinha...

A estreiteza de mim, provoca a turbulência dos meus sentidos
Sinto o meu corpo tingido de púrpura
Atravesso o muro, ao murro
Volto ao meu mundo

As pétalas da volúpia resvalaram amadurecidas pelo momento
E pelo tempo que permaneci estática, inerte...
Libertei-me no espaço tão-somente meu

Voa... voa... Não deixes que te partam as asas

Entoou-me:

"Conhece-te a ti mesmo"