terça-feira, 28 de outubro de 2008

Escrevo-te !



Sou um pássaro de asas negras
Venho trajada de solidão
Numa mão escrevo o meu nome
Na outra ostento o fio cortante do teu olhar
Numa face gravei o teu nome
Na outra o teu beijo seco

Evado-me, pinto-me e repinto-me
De cores vivas e negras
Fantasma de mim
Flagelação, lamentos torturados
Ruminados de ideias fixas
Degluto, sem conseguir a sua digestão

No meu corpo mutilado de dor
Gravo os teus passos negros
Com uma mão ofereço o meu amor
Com a outra perpetuo a felicidade

Esse extremo é o meu dilema
Numa vontade obscena e escura de te ter
De não parar custe o que custar
Pelo medo de ser esquecida
Empalidecida inerte e seca de tudo

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Silêncio !




Para o desejo enganar
Queria saber mentir
Despir-me totalmente da razão
Ignorar estilhaços de sonhos rasgados
Inverter o sentido do percurso da vida
Saborear incertezas...

Mas reajo
Transformo-me em muitas
Amordaço o peito
Para exaurir a sangria do nada
Do sentimento estripado
Do corpo que me conhece...

Hoje, opto pelo silêncio
Arrasto resquicios de uma dança
De corpos pautados sem partitura
Pragmatismo na brisa da noite
E deixo-me ficar...

Ignoro as lembranças
Refaço as minhas linhas
Traço um caminho
No mundo do vento

domingo, 12 de outubro de 2008

Sem Titulo !



Não sei escrever para amigos
Sou uma escrita universal
Não sou casamenteira
Nem conselheira matrimonial

Sou áspera
Coração de fel

Sinto-me dona
Dum extenso areal
Em que sou raínha
Duma praia

Deserta de provocações insanas...

Pronta para recomeçar... !


Embrenho-mo entre as árvores
Da minha floresta negra
Ouço o vácuo do nada
Bate-me a brisa
Escura como bréu
Sou um vulto intempestivo
Onde o ser é sombrio
Gélido, aparência medonha
Desperta-me o medo
Sou dona da solidão
Alma perdida
Sento-me nos pensamentos pérfidos
Desejo a noite
Que toma conta de tudo
Onde vou esperar
Pronta para recomeçar...

E porque pediste...!




Hoje acordei com vontade de escrever
Mas o quê?

Nada de nada

Desejei rabiscar
mostrar em palavras
O que sinto

Mas nada saiu...